um dia.

a dor de quem achava que era emma
e descobre que na verdade se é o dexter.

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saudade.

tem esse cheiro
de cigarro molhado
que me tras algumas lembranças
samara de oculos escuros
num degrau alto
de uma casa no interior

piscina vazia
de nathalia
com seus cabelos naturais
ao vento
felicidade
sem fim

gabriel comendo
almoçando e gritando
que quer morar ali
menina que vomitou a noite
toda, tomando sol
como se nada tivesse acontecido

do halo
ao ralo
o cigarro molhado
do lado da cama
me faz lembrar vocês

a saudade que aperta
de momentos livres
de canto
de galho
baralho
queria ter vocês aqui

                                                                                                         agora

CHUVA EM LAGRIMAS.

enquanto chove lá fora
aqui dentro,
o meu peito queima de solidão.

V I D A  I N S T Á V E L

indo de mal
a pior

mentira que se estrepa
dentro de mim
de um amor guardado
a mentira de esquecer
a mentira que se expõe a mim
como o meu eu alaga a casa – choro
mais intenso que a chuva –
e com todos esses trovões
lá fora
e meus soluços aqui dentro
apelo pela droga
comprada em maços

o peito queima
entre um trago e outro, ainda
em meio a chuva, no quintal
da casa – mas não a minha casa
porque apesar de ter crescido aqui não
à reconheço mais –
que é o único lugar coberto
coberto protegido da chuva
coberto de incertezas
e imerso na paranoia
do meu eu
do meu peito queimando
do amor de um capricorniano
que não me liga mais – ou do canceriano que
não me beijou nunca mais –

a mentira não dita morre comigo
enquanto eu sinto a chuva
escorrer demasiadamente
em meu rosto, embaçando meus óculos
quatro olhos de coração partido
que fazem das lagrimas algo maior
enquanto o peito queima
e o choro se mistura a água
da chuva.

para os amores que nunca vão voltar.

amor límpido

de consolação à paulista

ou vão do masp

sp sem amor

translado de dor


sofá vazio

de taças e taças de vinho barato

rico em corante

você se lembra como fiquei corado

a primeira vez que te abracei? 


cantiga de amor

sem eira, nem beira

como dizia Drummond

se o amor que se estrepa

não volta, qual será sua cantiga amanhã?


Carlos, não se mate

não me mate em poesia

deixe a taça de vinho onde eu possa ver

onde eu possa afogar o amor que passou

e que não volta


deixe o corpo aberto

mesmo que o corpo andrógeno

coberto de sangue por vidas

vividas cheias

de um amor que se estrepa todos os dias


o amor da sua vida, nunca vai voltar.

sol em câncer.

eu queria poder te abraçar todos os dias

um dia eu escrevi rabiscando
numa folha de papel amassado
que abracei a tristeza
quando soltei dos teus braços
a verdade é que tem dias
que eu encontro
motivos para sorrir a cada esquina
e motivos para chorar
nos duzentos e cinquenta
degraus das escadas
daquele prédio alto
a verdade é que sinto falta de muita gente
e soltei dos braços de muita gente
e abracei muito a tal
tristeza
e talvez um dia
quem sabe
eu não chore mais por isso

                             
                        o amor que tenho em mim, tem o nome de saudade.

aos velhos amigos.

hoje eu sinto toda a dor do mundo.

saga da lua em câncer
                         como se passar o dia todo
                         chorando não fosse ruim o suficiente

sentimentalismo barato
esse que se coloca a frente
de qualquer segurança
que tento ter
choro por morte de cinquenta pessoas
cinquenta e três feridos
desconhecidos
lâmpadas enfiadas no peito
mas não do lado do coração
coração esse que ama
sem ver
as vezes, sem ter
ama amar as pessoas
e chora pela humanidade perdida
chora porque se perdeu
numa travessa da avenida paulista
a informação dada
é que virando a esquerda do meu coração
vou encontrar o perdão
perdão de gente sem coração
que age sem razão
que me deixa enojado
com medo
da rua, nua, crua
medo do beijo dado no alto da consolação
do julgamento de gente demente
que me fazem chorar
lendo coisas incrivelmente
retrógradas na internet
e se chorei o dia todo
culpo a lua em câncer
como quem culpa qualquer outra coisa
por viver imerso na ignorância
onde cinquenta lágrimas não vão ser
o
suficiente
para curar a dor do mundo.