CHUVA EM LAGRIMAS.

enquanto chove lá fora
aqui dentro,
o meu peito queima de solidão.

V I D A  I N S T Á V E L

indo de mal
a pior

mentira que se estrepa
dentro de mim
de um amor guardado
a mentira de esquecer
a mentira que se expõe a mim
como o meu eu alaga a casa – choro
mais intenso que a chuva –
e com todos esses trovões
lá fora
e meus soluços aqui dentro
apelo pela droga
comprada em maços

o peito queima
entre um trago e outro, ainda
em meio a chuva, no quintal
da casa – mas não a minha casa
porque apesar de ter crescido aqui não
à reconheço mais –
que é o único lugar coberto
coberto protegido da chuva
coberto de incertezas
e imerso na paranoia
do meu eu
do meu peito queimando
do amor de um capricorniano
que não me liga mais – ou do canceriano que
não me beijou nunca mais –

a mentira não dita morre comigo
enquanto eu sinto a chuva
escorrer demasiadamente
em meu rosto, embaçando meus óculos
quatro olhos de coração partido
que fazem das lagrimas algo maior
enquanto o peito queima
e o choro se mistura a água
da chuva.

para os amores que nunca vão voltar.

amor límpido

de consolação à paulista

ou vão do masp

sp sem amor

translado de dor


sofá vazio

de taças e taças de vinho barato

rico em corante

você se lembra como fiquei corado

a primeira vez que te abracei? 


cantiga de amor

sem eira, nem beira

como dizia Drummond

se o amor que se estrepa

não volta, qual será sua cantiga amanhã?


Carlos, não se mate

não me mate em poesia

deixe a taça de vinho onde eu possa ver

onde eu possa afogar o amor que passou

e que não volta


deixe o corpo aberto

mesmo que o corpo andrógeno

coberto de sangue por vidas

vividas cheias

de um amor que se estrepa todos os dias


o amor da sua vida, nunca vai voltar.

sol em câncer.

eu queria poder te abraçar todos os dias

um dia eu escrevi rabiscando
numa folha de papel amassado
que abracei a tristeza
quando soltei dos teus braços
a verdade é que tem dias
que eu encontro
motivos para sorrir a cada esquina
e motivos para chorar
nos duzentos e cinquenta
degraus das escadas
daquele prédio alto
a verdade é que sinto falta de muita gente
e soltei dos braços de muita gente
e abracei muito a tal
tristeza
e talvez um dia
quem sabe
eu não chore mais por isso

                             
                        o amor que tenho em mim, tem o nome de saudade.

aos velhos amigos.

hoje eu sinto toda a dor do mundo.

saga da lua em câncer
                         como se passar o dia todo
                         chorando não fosse ruim o suficiente

sentimentalismo barato
esse que se coloca a frente
de qualquer segurança
que tento ter
choro por morte de cinquenta pessoas
cinquenta e três feridos
desconhecidos
lâmpadas enfiadas no peito
mas não do lado do coração
coração esse que ama
sem ver
as vezes, sem ter
ama amar as pessoas
e chora pela humanidade perdida
chora porque se perdeu
numa travessa da avenida paulista
a informação dada
é que virando a esquerda do meu coração
vou encontrar o perdão
perdão de gente sem coração
que age sem razão
que me deixa enojado
com medo
da rua, nua, crua
medo do beijo dado no alto da consolação
do julgamento de gente demente
que me fazem chorar
lendo coisas incrivelmente
retrógradas na internet
e se chorei o dia todo
culpo a lua em câncer
como quem culpa qualquer outra coisa
por viver imerso na ignorância
onde cinquenta lágrimas não vão ser
o
suficiente
para curar a dor do mundo.

dos textos que ninguém precisa ler.

coração que infarta
de leonino desaforado
que diz que o beijo dado
não é lembrado por ninguém

eu estava bem bêbado naquela festa, bêbado como quem não acredita mais que por se viver sóbrio possa leva-lo a lugar algum. e lugar esse em que as pessoas que gritam em meus ouvidos, são amigos, que pecam ao me deixar beber daquele jeito mas não fazem por mal, não me levem a mau. é que eu conto os segundo para me sentir assim como se fosse uma meta de vida. eu o beijei aquela noite sem ao menos olhar os olhos verdes estalados, os mesmo que eu olhei fixamente na escada na noite passada. os mesmos olhos que eu me peguei pensando por puro capricho. capricho esse que as vezes sinto vergonha mas só porque eu falei coisas demais e como é ruim estar completamente bêbado sempre, sem as papas na língua e cuspir qualquer coisa na cara de todo mundo. cuspir aos olhos verdes que prefere não se machucar ao me beijar novamente. lábio macio. boca beijada e desesperadamente mordida como se eu pudesse ter um pedaço de você dentro de mim por mais doentio que fosse. doente. bêbado. tentando explicar o inexplicável e eu não tentei me jogar da escada aquele dia porque eu só tenho esses pensamentos suicidas quando estou bêbado e eu queria sair com você na quarta e mesmo assim não queria ter que quebrar a perna para cancelar nosso longo abraço e o papo sobre livros que eu não gosto de ler. porque mesmo querendo conhecer o moço dos olhos verdes de verdade eu ainda me sinto com muito medo é muito ansioso por encontros. encontro esse que você cancelou e eu nem precisei quebrar a perna para isso. eu só queria me sentir bêbado a maior parte da semana e mesmo assim beijar seus lábios qualquer dia desses e quem sabe não te levar para passear até que você se sinta confortável para pegar na minha mão e andar por aí. engoli a carência com um monte de tequila sábado mesmo sabendo que o virginiano não está nem aí para o que eu sinto mas esse é uma outra longa história em que eu grito por aí sem saber o que estou dizendo. de fato eu tento levantar do sofá mas mesmo assim me prendo no sufoco de não conseguir controlar meu corpo direito. espero não me sentir mais assim, tampouco espero me sentir como se fosse morrer caindo da escada ou morrer de bêbado apaixonado que eu sou, tentando forçar coisas as pessoas que não querem ser forçadas a nada e quem sabe nenhum deles estão tão a fim de você.

AQUI.

se a minha casa é para onde vão meus pés, onde estou

não quero chega lá
acolá, ou me ver sem ter
para onde ir
para onde fugir
desse caos
me achar num mar
sem crer que não vou me afogar
sem medo de existir
e exibir o próprio medo
medo do medo
e não saber que horas são
sem ter onde ir
e nem hora para chegar
eu não enxergo muito bem
fique onde meus olhos
consigam te ver de algum lugar
daqui de cima
ou de lá
nem meus pés
que vão chegar a qualquer lugar
e não, aqui não é a minha casa.